domingo, 16 de dezembro de 2007

Cansei!

Eu não sabia disso, mas ressaca acontece rapidinho. Antes, demorava mais pra eu sentir dor de cabeça. Agora, é imediato!

Às vezes, tô com o copo na mão e penso: "É melhor eu parar por aqui..." Não sei se meu fígado é que me avisa ou os meus amigos do plano espiritual, que não querem me ver trabalhando em chamas por dentro, com vontade de sumir da TV...

Essa é a primeira vez que fico em casa sozinha sem um pensamento urgente ou uma atividade pendente em semanas. Abri o computador só por abrir. Pra fazer hora até que o sono venha...

Mas até isso é uma questão de hábito. Não tô mais acostumada a ficar em casa sozinha, com a mente vazia. Desde o meio de novembro, duas coisas andavam me ocupando: o trabalho e um homem.

E, pasmem, eu andava feliz com os dois!

Ainda ando cantarolando, celebrando o que colhi no trabalho.

Mas estou perdida em relação a ele. Escrevo pra ver se num insight descubro o que fazer...

Gostei dele. Coisa rara de acontecer.

Fui me abrindo, me abrindo, acho eu como nunca tinha feito. Doce, cordata, feliz... Mas em pouco tempo, descobri que o cara quer conflito. Não quer alguém fácil pra ele e pra si mesmo!

E o pior é que eu entendo! Quantas vezes já escrevi que gente feliz é chata? Que quem não tem conflitos não é interessante?

É, mas até nisso eu mudei.

Amigos, me desculpem, mas eu me cansei dos conflitos. Me cansei dos loucos, me cansei de fazer platéia pro egos inflamados. Até um retirante nordestino tem ego trip! Me dá um tempo, né?

Quem souber de alguém normal, pode me apresentar! Porque eu, aderi ao CANSEI!!!!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Passagem

O mundo andava girando em volta do meu umbigo.

Embriagada de felicidade e agradecimento, me permiti esquecer o sofrimento.

Egoísta, fingi que não via que gente que eu amo estava penando!...

Ontem, vi minha estrela brilhar e, no fim do dia, um homem bom me abrigou em seus braços...

Confiante, abri meus olhos, vesti uma roupa sóbria e fui trabalhar. As poucas horas de sono nem contavam...

Mas o encontro com as vicissitudes da vida veio rápido.

Meu tio querido nos deixou.

Sem querer sair do meu estado de graça, não entendi.

Continuei a trabalhar, terminei de trabalhar, coloquei uma muda de roupa na sacola, peguei meu avião... Nenhuma lágrima. Nenhum sinal de que alguém que eu amo acabara de partir...

Trânsito, chuva e cheguei onde eu desconhecia.

No estacionamento, a verdade começou a crescer.

A realidade me deu um tapa na cara. Tinha uma placa. Uma placa com o nome dele.

Meu Deus!!!

Esse dia temido chegou... Vi o nome do meu tio querido estampado no mural dos mortos.

Deixei de levitar.

E o luto tomou conta de mim.

Um banho quente pra tirar o ranço. Nem assim, dá.

A proximidade com a morte marca. Detona.

Nem 15 dias sem folga, sob pressão e ansiedade são capazes de me esgotar assim...

É a força da passagem do mundo material para o espiritual.

Eu ainda fiquei por aqui...

E fiquei sem um pedaço de mim, da minha história, que insisto em escrever...

Por enquanto, vou ficar quieta. Estou triste sem você neste mundo, Tio Catide!

Mas vá em paz. Te amo!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Prece

Tudo de que preciso acontece, quando preciso, quando já nem espero.

Obrigada, meu Deus!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Mágoa

Mágoa - sentimento que vem permeando meus últimos dias...

Não que eu esteja magoada. Ao contrário. Muita gente à minha volta é que está.

Se numa prece a Deus eu conseguisse o que peço, pediria para extirpar a mágoa do nosso mundo.

Acho que não precisamos dela.

Porque a mágoa é veneno, que mata... Mas mata devagar, tomando conta de órgão por órgão dentro da gente. Primeiro o estômago e o coração. Dois órgãos com importância suficiente para contaminar todos os outros.

Falo com propriedade. Eu já estive magoada um dia...

Eu me pergunto se existe alguém que nunca tenha sentido mágoa... Se existe, deve ser a pessoa mais feliz da face da Terra.

É que a mágoa faz mal para quem sente. E muito colateralmente pra quem é o alvo dessa mágoa...

Eu me pergunto também se a mágoa é um sentimento sentido por quem mais ama/amou do que foi amado. Eu acho que sim, não sei... Confesso que não tenho bem certeza.

Mas agora que não estou tão magoada como antes, posso ver a mágoa alheia e a minha mesma, pregressa, com mais clareza.

A Flor tem mágoa, que machuca o coração dela. Mas o cara, objeto dessa mágoa, não sente nada.

A minha colega de trabalho também tem mágoa. E como não corta de vez o relacionamento com a ex dela, é a mágoa que toma conta do diálogo entre elas. E ela sai machucada pra caramba. Queria lhe dizer, assim como fiz com a Flor, pra deixar a mágoa de lado. É que ela não é edificante. Mas isso é bullshit!

A autora do livro que eu tô lendo queria que o ex-marido dela não tivesse mais mágoa. Ela ficava triste por saber que ele tem esse sentimento por ela. Quando li, pensei: "Ufa! Ainda bem que não tenho que me preocupar com isso!"

Mas estava enganada.

Bastou uma carona para alguém me lembrar que o que ele sente por mim hoje é mágoa. Ainda hoje... Também fiquei triste por saber que ele tem esse sentimento por mim. E quis, assim como a autora do livro que eu tô lendo, ir correndo ter uma conversa civilizada com ele pra que a mágoa se dissipasse.

Mas não posso porque escolhi cortar de vez o relacionamento com ele. Daí pode até ser que eu ainda tenha mágoa, mas ela está escondida em algum canto... Como tantos outras coisas que sinto por ele...

Mas eu me pergunto se a mágoa é desses sentimentos que podem ficar escondidos... Eu acho que não. Acho que ela é forte demais para ficar disfarçada.

Por isso me dou ao luxo de pensar que eu não tenho mais mágoa.

E por isso sempre tem alguém pra me lembrar o quanto a mágoa que ele tem de mim está viva. E nem precisa ser ele a me lembrar. E nem precisa ser a mágoa em pessoa vir à tona. Só mesmo a menção de que é assim que ele sente...

Ele tem mágoa porque eu não apareci.

Se eu ainda tenho mágoa, talvez seja do mundo, das circunstâncias, do que eu desconheço e que, de alguma forma, colocou um homem nesse mundo pra eu amar, mas não permitiu que o amor se concretizasse.

Mas hoje falo isso sem dor.

Afinal, para a mágoa ir embora, é preciso deixar o que é passado no passado e o que é o resto como sendo o resto mesmo. E esse resto pode ser tanta coisa!!! A gente SEMPRE tem opção nesta vida!!!!!

É claro que saber dessa mágoa que ele tem hoje, de novo, me fez ter vontade de dizer pra ele que eu realmente não estendi a minha mão pra ele. Mas era apenas porque eu NÃO PODIA, porque não era capaz...

Quando a gente está se sentindo muito por baixo, fica difícil ajudar alguém, né?

Mas quando estar por baixo fica assim disfarçado de dor física, de uma imobilidade, de uma impossibilidade qualquer, fica mais fácil escancarar a dor, fica mais fácil gritar que você tem motivos!!!!

E quando a dor é daquelas que ninguém vê????

As pessoas realmente acham que eu sou a mesma de novembro do ano passado, nessa mesma data, há poucos dias da minha última recaída. Eu estava um trapo.

Hoje, posso até estar mais velha e mais cansada. Mas estou inteira.

Mesmo assim, querido, queria te dizer que é uma pena. E que um dia espero receber um e-mail seu como o que eu recebi do Davis. Ele enxergou que a minha passagem na vida dele foi uma bênção. Ele não se sente mais uma vítima da vida.

Eu também não.

domingo, 7 de outubro de 2007

Casamento

Fiquei um tempão sem escrever. É que eu estava feliz...
É como eu sempre digo, gente feliz é sem graça.
Os conflitos desaparecem, falta assunto!

Mas não é que não demorou e a confusão voltou?
Foram mais ou menos 2 meses de paz.
E depois as primeiras 2 semanas de volta ao que eu sempre fui (não que isso me agrade... estava bem contente feliz mesmo!)

Acabo de chegar de BH -- fim de semana intenso, de emoções fortes, carregadas.
Estou cansada e com a ressaca de quem chorou muito, não se conteve...

Minha prima de 27 anos se casou. Apaixonada, não precisou de muita coisa. Um lugar relativamente bonito, um vestido campestre, flores no cabelo, um falso altar, família, amigos e o principal - o noivo.

Foi lindo.
As declarações de amor eterno que eles fizeram... As famílias onde nem sempre imperou o amor, unidas, emocionadas...

E lá estava a nossa família, tentando sobreviver...

Minha tia, que quase não chega pra ver o casamento, esbravejou na escola do filho pra conseguir que ele fizesse uma prova mais cedo. O argumento: uma das minhas sobrinhas, que nunca se casam, vai se casar hoje!!!!!

Eu estou entre as sobrinhas que nunca se casam. Aliás, nunca me casei. Minha irmã também não. Portanto, o casamento de uma de nós, no caso, o da minha prima, é mesmo um evento!

Nunca se sabe mesmo se vai haver mais casamentos. Eu até espero que sim. Desejo que sim. Mas temo que muitos de nós não tenhamos esse talento...

Não rola pressão, mas rola uma vontade danada de ver todo mundo feliz! Sei que a minha tia quer me ver do mesmo jeito que viu minha prima. Não vestida de noiva, não fazendo pose pra foto, mas, sim, feliz, fazendo juras de amor eterno que, no caso, eu sei que eles acreditam piamente que é isso que vai acontecer. Quer saber o que eu penso? Amém! Tomara! Oxalá!

Bem, mas o casamento, né...

Então, foi lá no casamento e por telefone mesmo que mais um relacionamento meu teve um fim. Não foi nada agradável... Ainda mais depois de ver duas pessoas, um homem e uma mulher, tão felizes só por estarem juntos! Seria providência divina? Sorte?

Hoje foi o dia seguinte ao casamento... E como casamento significa na nossa sociedade esse ideal que se tornou real para a Letícia e para o André, isso mexeu também com a nossa família...

Fomos visitar meu tio que está com câncer. Enquanto a gente via as fotos do casório, me sentei ao lado dele. E ele contou que perguntou ao filho dele, o único que ele tem, se ele não ia se casar antes de ele morrer... Meu primo, que tem 25 anos, nem namorada tem. E a doença do meu tio avança a galope pelo seu corpo já fragilizado...

Não, infelizmente meu tio não vai ver o filho dele se casando. Pelo menos não nessa dimensão. E ele não vai ver o meu casamento também, se um dia ele acontecer.

Mesmo assim, fiz ele me prometer que ele estaria presente, que faria alguma coisa pra que eu soubesse que ele estava ali.

Bastou. Segurei na sua mão, ele me pediu pra voltar mais vezes e eu desabei.

Como vou voltar mais vezes se escolhi morar em São Paulo, longe da minha família?

As nossas mãos dadas, pode ter sido a última vez. As nossas risadas, os nossos papos, pode ter sido pela última vez.

Como é cruel ver alguém que você ama indo embora aos poucos. E sem querer ir...

De repente aquele corpo com vida, cheio de histórias, de interesses, de personalidade, de individualidade, vai morrer. E vai fazer uma falta imensa, vai abrir um buraco na gente!...

Meu único consolo é que sim, um dia ainda posso me casar e sim, se isso acontecer, meu tio vai estar lá!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Dança de Salão

Hoje estou cansada.

Ontem, estava triste.

Mas quem "dança" seus males espanta. Fui dançar, era a minha segunda aula de dança de salão. Fui como se estivesse remando contra a maré. A mente comandava o corpo para um boicote. E se não fosse tão legal assim quanto foi da primeira vez? E se dançar não me tirasse os pensamentos entristecidos da cabeça? E como será vencer outra vez a timidez, a falta de ritmo e a troca constante de parceiros?

Foi só chegar e começar. Simples assim.

Meu primeiro parceiro da noite era um senhor mais baixo do que eu, mais magro, de cabelos pintados, muito arrumadinho. Dançamos forró. Aliás, ele me conduziu e eu acompanhei... Gente, isso mesmo, eu agora posso dançar forró!!!

Digo posso porque tudo depende deles. Sim, finalmente encontrei algo na vida que depende dos homens. Isso é uma descoberta e é uma maravilha.

Meu terceiro parceiro era um gordinho inseguro. Acabei não dançando tão bem. Entendem?

É mágico e recomendo a todos os homens aulas de dança de salão. É lá que eles tomam conta do pedaço, mandam, te empurram, te giram, comandam! Um alento para a masculinidade deles e para a nossa femilidade... Ótimo remédio para a auto-estima de ambos!

Me curvei às vontades deles, com prazer...

Cada um impunha um ritmo. Às vezes estávamos mais próximos, outras vezes mais distantes. Mas só porque eles queriam...

Foi lá, numa sala espelhada dentro de um shopping que vi, pela primeira vez, definidos os papéis de um homem e de uma mulher.

E como mulher, percebi que não estou preparada para esse mundo onde a cortesia é necessária. Quando vejo, me pego me entregando aos braços alheios sem ao menos perguntar o nome do sujeito, sem ao menos dizer boa noite. E ao final de cada dança, esqueço de dizer obrigada.

Não é uma questão de falta de educação.

É apenas falta de costume. Não estou acostumada à cortesia masculina. E muito menos à feminina para com eles... Choque geracional total? Será?

Bem, o fato é que agora eu quero dançar...

Obrigado aos meus parceiros anônimos, que aceitam me ensinar os passos que me deixam leve, bonita e feliz sem se importarem com o que eu faço, ou o que sou...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Ah, esses aquarianos!...

Que espécie de seres humanos somos nós que não temos paciência com quem mais amamos? E aí, na iminência de perder essa pessoa, nos transformamos em chaga viva...

Por que na hora de dizer o quanto a gente gosta, o quanto essa pessoa vai nos fazer falta, a voz não sai, a garganta dá um nó, o estômago trava...

Cambada de covardes, somos nós... Temos dificuldade de falar o que é doce, mas o que é fel sai com facilidade...

Meu tio querido está doente. E eu choro todo dia sozinha com medo de perdê-lo...

Ele atendeu ao telefone. Não se surpreendeu ao ouvir a minha voz, apesar de ser raro eu ligar.
É que sou essa espécie de ser humano que só enxerga o próprio umbigo, que corre muito contra o tempo e que quando se dá conta, está correndo atrás do próprio rabo.

Mas ele não me julgou, pelo contrário. Me ouviu.

Dessa vez, ele não falou de política, não meteu o pau no PT, não falou da esquerda facista para meu desespero. E mesmo que falasse, dessa vez eu teria mais paciência, talvez nem mudasse de assunto...

Uma vez ele começou a lamentar por tudo o que acontecia em nosso país. Falava da política e dos políticos, claro. E disse: "Se um dia eu fosse o presidente da república..." Não dei ouvidos ao resto da frase... E ele também ficou distante. Quando alguém perguntou alguma coisa de um outro assunto completamente diferente, ele respondeu: "Não sei, não estava prestando atenção. Estava pensando em tudo o que eu faria se eu fosse o presidente do Brasil..."

É assim o meu tio. Um verdadeiro aquariano, que vive mais no mundo das idéias do que no real. Um apaixonado pela tecnologia e pela modernidade.

E hoje tudo o que eu consegui dizer foi: "É tio Catide, não é mole, não..." E parei aí pra não chorar ao telefone, na frente dele...

Ele me agradeceu a atenção. Falou igualzinho falava a minha avó, já falecida... Minha querida avozinha... O meu tio é tão frágil quanto ela. Sempre foi. Ela também era dessas aquarianas especiais...

Acho que os aquarianos não são muito resistentes a doenças...

Pelo menos com ela eu tive paciência. Por uma dessas não-explicações astrais, eu respeitava muito o jeito dela. E disso eu não me arrependo.

O meu tio é especial pra mim há muito tempo.

Ele estava na festa em que minha mãe conheceu meu pai. Era penetra.

Quando ele se casou, eu era criança, mas fui convidada. Achei que estava em San Francisco na época da Contra Cultura. Tinha meninas e a menina-noiva de vestidos amarelos, de pontas, lastéx e flores no cabelo. Coroa de flores nos cabelos soltos, naturais.

Quando a gente ia pro sítio e eu era pequena, ele me rodava na rede de balançar. A gente brincava até eu bater a cabeça, chorar e ficar com um galo enorme na testa. Minha mãe é que adorava essas brincadeiras!

Quando fiz cursinho pra entrar na faculdade, foi ele que pagou a minha inscrição.

E depois, era ele que durante muitos anos ficava sentado na ponta da mesa o domingo todo. Conversando, comendo, fumando, rindo...

E no Natal, ele continua lá sentado na ponta da mesa. No lugar que é dele.

As mesas mudaram, as casas mudaram. Ele, não.

Foi ele também que me ensinou o que é o Espíritismo.

E ele foi a primeira pessoa a me dizer que eu não tinha motivos para enxergar a única luz apagada numa enorme árvore de Natal toda iluminada. Na época, não entendi...

São essas coisas singelas que construíram esse amor que eu sinto por ele e que eu nem sabia que era tão forte!

Agora é confiar Nele, e no mundo invisível que nos cerca, nas boas companhias que a gente sabe que estão aqui, do nosso lado!

Tá faltando palavra pequena nesse mundo: FÉ.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Sonho bom

Tenho andado distraída. Demais.
Tenho vivido mais no imaginário do que no mundo real. Dentro da minha cabeça a vida tá mais colorida ainda do que do lado de fora.

Aqui dentro, faço o que sempre sonhei... Tô no vídeo. E do lado de cá, tenho ele de novo. Desta vez, sou mais doce, mais entregue, mais inteira.

Na vida real, me declarei na semana passada. Não disse TE AMO. Mas quase. Disse tanta coisa boa e bonita que mesmo que ele não saiba o que fazer com isso já foi bom.

Agora é que a cobra tá fumando. Porque agora eu falei tudo o que ele queria ouvir. Mas com 6 meses de atraso. Se ele desaparecer, é porque o amor dele por mim já passou. Talvez ele esteja achando que agora vai dar muito trabalho sentir amor por mim de novo.

Mas se por acaso ele não se acovardar, acho que nós dois vamos ser muito felizes.

Me vejo num vestido amarelo com laço de fita. Vejo ele ali do meu lado com seus belos olhos azuis, barbado e de terno. Eu danço e ele olha, bebendo champagne. Não dança porque não sabe dançar. Mas tudo bem, eu sou feliz e ele também.

Mas esse é o sonho. Aqui na realidade ainda não sei o que vai ser. Mas é incrível! Não estou com medo. Se ele me quiser, vai ser ótimo! Se ele não quiser, fazer o quê?

Mudando o chip...

Finalmente a prova veio... Plantão juntos sem nem uma tremidinha nas pernas... Acho que dessa história eu tô curada!

Nova mudança de chip

Tô ouvindo música das minhas novas caixinhas de som para o meu novo Ipod. Tô me sentindo poderosa. Daqui do computador aciono as músicas que quero, aumento ou diminuo o som ao toque de um pequeno controle remoto. O máximo isso! O máximo o mundo da tecnologia!

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Nunca

Está quente em São Paulo. Árida, a cidade.

Estou alegre, tem muita gente em volta. Tem comida boa, cervejinha e barulho. Mas já quero ir embora. Voltar pra casa, ficar quieta, comigo mesma.

Estou zen.

Acho que nunca disse isso de mim mesma. Cristiana e zen são termos que não combinam.

É claro que há momentos em que perco a serenidade, a tranqüilidade. Mas essa paz de espírito não demora pra voltar. Ainda bem.

Estava cansada de me sentir pra baixo.

Não sei até quando a onda boa vai durar... Fico achando que o trânsito pode me tirar desse estado de prazer com a vida. Mas o importante é não se estressar tentando não se estressar!

Meus pensamentos voam de volta pra ele que um dia me beijou e eu me deixei beijar... Mas, então, eu estava sem muita convicção.

Hoje, quem beija sou eu. Ele retribui, mas sem o mesmo afã. Enfim, ele não aprendeu a falar português direito, mas acabou aprendendo alguma coisa da vida.

E eu também.

Naquela época, eu não vi direito que ele era bom pra mim. Eu não senti direito que podia gostar dele também. Estava muito ocupada em sofrer a minha dor.

((Se o luto passou, ainda não sei. Ainda não me coloquei à prova. Ou o acaso ainda não nos colocou frente a frente de novo... Ainda sinto medo.))

A gente se beija, transa e depois eu vou embora. Tem sido assim há dois anos. Nunca achei que eu pudesse ter uma relação puramente física. Mas mesmo assim mantive essa situação dizendo pra mim mesma que ele era apenas aquele com quem eu me deixava beijar...

Ledo engano. Nunca tive uma relação puramente física. Só agora eu vejo. Se sempre tive vontade de transar com ele, então é porque sinto alguma coisa por ele... E sinto que a gente se entende. Falamos sobre as mesmas coisas. A diferença é que ele vê o mundo colorido. Enquanto eu reclamo do mundo colorido, mesmo não gostando do cinza.

Sou complicada assim mesmo.

Toda vez que me vê, ele diz que me adora. E diz que quer fazer um filho comigo.

Agora também sinto vontade de ter um filho. De ter um filho com ele. Mas não tenho coragem.

E talvez a minha chance com ele, sempre tão disponível pra mim, tenha passado.
Ele está mais distante, está mais voltado pra si mesmo. Está menos empolgado, barbado e mais bonito.

E eu teria que tentar reconquistá-lo...

Ah! Mas aí, eis que me deparo comigo mesma, sem ter certeza de nada. Nunca tenho certeza. Achava que um dia a certeza viria. Não vem.

Agora o ciúme, que aliás, sempre tive dele também, me rói a alma. Onde foram parar a 5 camisinhas do pacote?

Odeio namorar cara bonito!!!!

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

O Mundo do Corpo

Hoje estou cansada. Tenho dormido mal. O francês não sai da minha cabeça, mal consigo pensar em português. Com isso, na cama, a agitação é grande. Mas ainda não se trata da agitação que eu desejo... risos...

Não devo escrever muito, mas neste exato momento, estou feliz. É que acabo de saber que os astros me reservam coisas boas para a minha vida afetiva. Está escrito no Astrology Zone:

"Here is some amazing news that you're probably not expecting! This month your house of new love (fifth house) will sparkle brightly, thanks to a visit from Mars, to extend from August 7 to September 28.

Mars will help you kick off a whole new two-year romantic cycle - and when that period is over, Mars will return in 2009 to ask you if you'd like to continue that relationship or find a new one. If you do fall in love, you can proceed to the next level, without old Saturn throwing rocks in your path. This is a fantastic development, for finally you have a real chance at happiness."

É tudo o que eu queria "ouvir".

Tenho passado por sensações difíceis. Os casais nas ruas têm me chamado a atenção. Eles se beijam, se amam, sentem paixão... E eu, confesso, sinto inveja. Acho que pela primeira vez na vida estou sentindo inveja... Do tipo, por que não eu?

Na fila para a exposição, um casal de jovenzinhos. Ela, uma adolescente exuberante. Loira, alta, cabelos perfeitos, pele inimaginavelmente bela. Uma potência sexual, com seu short minúsculo provocando o seu amor e a todos em volta. Ele, um belo especimen masculino e que, com o tempo, vai ser capaz de mostrar toda a sua força. Eles não se agüentam, se agarram, se pegam, se tocam... Eu me sinto minúscula ali naquela fila...

E os pensamentos que me vêm não são tão bons assim. Ao mesmo tempo em que fico feliz por eles estarem vivendo toda essa juventude, toda essa explosão hormonal, sinto pena porque acho que eles ainda vão sofrer.

Penso na minha juventude que, pouco a pouco, vai indo embora. No meu quarto de intercâmbio tem uma foto minha de 1994, da primeira visita que fiz à minha família hospedeira depois do ano que passei com eles. Estou tão jovem, tão bela. Minha pele está perfeita, sem nenhuma mancha. Ao meu lado, meu pai do intercâmbio. Ele também está muito mais jovem.

A idade chega pra todo mundo. Mas como é dificil aceitar essa passagem do tempo! Não gosto, não quero... Quero ser como a jovem menina mulher que não segura a onda hormonal na fila pra exposição.

Ahn, by the way, a nossa vida começa com um nada. Difícil acreditar que um ponto invisível possa ser vida. Apesar de ser contra o aborto, acho que agora consigo entender que há os que crêem que o ponto invisível nãoo seja, de fato, uma vida.

Mas essa vida que eu já vivi, eu já vivi. E é tão fácil reconhecer os sinais de que o tempo está passando... Como por exemplo: estou morrendo de saudades da minha casa, da minha rotina... Quando é que eu poderia pensar há alguns anos, quando estive na Austrália, que eu me cansaria de viajar?

Foi na Australia que em 1 mês arrumei 2 ou 3 namorados. Pelo último, cheguei a me empolgar. A quase me apaixonar. E agora? Quase 1 mês inteiro e nem a sombra de um homem no meu caminho. A não ser aqueles corpos já sem vida, mas tão robustos que me fazem sonhar...

Acho que estou confusa.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Sorte

Me olho no espelho, a minha pele está vermelha de sol, mas só no colo, logo abaixo do pescoço, do lado esquerdo. Subestimei o sol do verão canadense. É que nem parece que é nesse país mais conhecido por seus dias gelados que eu estou... Passei o dia na beira da piscina, refestelada, curtindo meu dolce far niente.

O livro que estou lendo me dá sono. Durmo instantaneamente... Não sei o que pensar.

Eu estava com muitas saudades. Nem sabia que voce era tão importante. Tive mil idéias nessas duas últimas semanas de viagens, tentei guardá-las para não esquecê-las e poder então te contar... Mas... acho que elas já se foram. Ou não. Como diria Caetano.

Eu acho que a minha vida vai mudar daqui pra frente. Tô comecando a aceitar que o que eu quero é totalmente possivel.

Começo a ver que o que eu tenho mesmo nessa vida é sorte.

No ano passado, na minha última sexta-feira de trabalho antes das férias, aconteceram os primeiros ataques do PCC nas ruas de São Paulo. Trabalhei como uma condenada. Mas o pior ainda estava por vir. E eu? Bem, eu me preparava pra ir pra Europa depois de um jejum de 7 anos sem ir ao exterior. Mas, pensa bem, tem gente que nem nunca foi!!!

Este ano, minhas férias começaram no dia 16 de julho. No dia 17 houve o pior acidente aéreo da história do Brasil. A mais ou menos 6 quilômetros da minha casa. E à mesma distância do meu trabalho. E eu, onde estava? Na fazenda, visitando minha única avó viva, que hoje tem 87 anos. Enquanto o avião se espatifava e explodia no meio da cidade, eu estava perdida numa estrada de terra escura, no carro da minha irmã, sozinha, procurando pelo meu pai. Hoje posso dizer que aquilo era o melhor dos mundos, considerando o que acontecia nessa mesma hora na minha querida São Paulo.

Viajei pra Nova York assim mesmo, deixando a tristeza pra trás. Mas não foi fácil estar num avião. Viajar na janela, vendo a noite que corre solta e as asas dessa fascinante invenção do homem... O barulho contínuo não me deixava esquecer onde eu estava. Não, não se tratava de uma estrada de vez em quando esburacada. Eu estava era voando entre as nuvens. E a sensação de que aquela máquina possante podia não parar me deixava com um nó na garganta. Mas o homem é mesmo um gênio. Aquele pássaro gigante pousou docemente na Big Apple.

Nova York me recebeu chorando. Fria, chuvosa e triste.

Mal pude acreditar! Onde estava o sol que as férias me prometiam?

Mesmo cansada, a antena estava ligada, a mil por hora. Vi que todo mundo me compreendia e os que não me compreendiam tinha paciência pra pelo menos tentar. No ônibus até Roosevelt Island, passando por todo o Queens, não vi um branco sequer, um verdadeiro e puro americano. Nesses 13 anos em que não vinha a NY, as coisas mudaram. A imigração mudou a cara e o gosto da cidade. Fui muito bem tratada em NY. E as cores das pessoas foram escurecendo. Elas foram ficando mais parecidas comigo.

A chuva persistente me acompanhou durante todo o primeiro dia. Nao me deixei vencer pelo cansaço e saí a procura das coisas que caracterizam a cidade. Andei sob a chuva forte, um guarda-chuva emprestado que me salvou a vida me acompanhou.

Mas estive em desespero por alguns minutos. O que eu estava fazendo ali, sozinha? Por que enquanto eu estou de férias em NY tem tanta gente sofrendo a perda de entes queridos numa tragédia? Por que o mundo ainda está em guerra? Por que NY é visada pelos terroristas? Por que eu AINDA nao estou feliz?

No dia seguinte, veio o sol. E com ele a minha esperança num mundo muito melhor.

Mas, pasmem, enlouqueci. NY me deu todos os ímpetos consumistas que uma mulher pode ter nessa vida! Pirei, torrei dólares e agora tenho mil contas pra pagar.

Ainda não estou totalmente feliz, mas, o mais legal é que não me sinto nem um pouco perdida. Mesmo tendo estado 13 anos longe de NY, mesmo tendo estado 9 anos longe do Québec!

Eu sou mesmo uma garota de sorte!

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Homem Casado

Eu tenho 34 anos. Já disse isso aqui algumas vezes.
É, mas eu nunca fiquei com um homem casado.
Quer dizer, uma vez em Arraial d´Ajuda me apaixonei por um alemão. Foi fulminante. Paixão de verão, avassaladora.
Durou 1 semana - o tempo que eu fiquei lá. Mas só ficamos mesmo 4 dias depois que nos conhecemos. Aí, só nos restaram 4 dias juntos.
E ele morava com a namorada lá na Alemanha, em Berlim.
E como ele disse que morar junto não é casamento, acho que isso me redime.
Digamos que foi assim: por quatro dias traímos a namorada dele.
É uma mancha no currículo, mas tendo a pensar que não foi tão grave assim porque, afinal, o que um alemão faria sozinho no Brasil, na Bahia, sem a namorada de 10 anos? Isso mesmo, 10 anos.

É claro que saber que eles se separaram pouco tempo depois e não por minha causa também ameniza a pressão.

Mas nada justifica, eu sei.

O fato é que eu sinto que a minha ficha está limpa. Na prática.

Já em pensamento...

Pela primeira vez na vida senti algo por um homem casado. E aí compreendi tanta coisa que eu não era capaz de compreender antes.

Compreendi que se apaixonar por alguém casado pode acontecer, ainda que você não seja uma vagabunda e o cara um salafrário. A questão é deixar rolar ou não. Eu optei por não deixar rolar.

Hoje, posso compreender a mulher do meu pai e a amante do meu avô.

Hoje, tô sentindo exatamente como deve se sentir uma mulher que vê o cara que ela gosta indo embora pra casa -- dele e da mulher, e dos filhos e da família deles.
E posso dizer que isso não é bom de sentir.
E posso concluir que o melhor mesmo é ter escolhido não deixar rolar.
E posso afirmar que a gente sempre tem escolha nessa vida.

Eu não conseguiria viver com esse sentimento de eventualmente ver quem eu gosto ir embora.

Da próxima vez que eu gostar de alguém, não quero nunca mais que ele vá embora.
Mesmo sabendo que isso talvez seja só uma utopia.

Mesmo sabendo que um dia tudo acaba.

Eu já amei e já esqueci.
Já amei e não esqueci, não esqueço, talvez nunca esqueça.
Mas sou incapaz de amar mais do que a mim mesma.
Por instinto de preservação, não mexo com homem casado.

P.S. - Tô de férias!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 8 de julho de 2007

Trilha Musical à la DJ Zé Pedro

Fui dançar pra esquecer.

"Até o sol nascer amareliho, queimando cedinho, cedinho, cedinho..."

Conheci um garoto legal. Mas na balada, eles são todos pu***.

E tá tudo bem!

"Tudo azul, todo mundo nu..."

sábado, 7 de julho de 2007

Um segundo para o fim do mundo

A seqüência de imagens foi rápida, muito rápida. Mais rápida do que consigo contar, muito mais rápida do que consigo descrever, muito, muito, muito mais rápida do que consigo escrever.

Num cruzamento de uma avenida com uma rua, um carro fecha um caminhão betoneira. O motorista do caminhão -- que é muito maior -- pra não esmagar o carro, vira para a direita de repente, tentando entrar na rua... Tarde demais. O caminhão desestabiliza com o movimento brusco e o peso. Hesita, mas tomba para a esquerda, bem na esquina. O barulho é seco, surdo. Levanta um poeirão. O motorista provavelmente foi esmagado pelo peso do caminhão. A placa que indicava os nomes tanto da rua quanto da avenida cai imediatamente após a queda do caminhão. À minha esquerda vejo um furgão da Polícia Militar. De dentro saem policiais de arma em punho. Vão até o caminhão e já começam a abrir caminho. O sinal que um deles faz é de negativo.

A visão me emudeceu, paralisou. E me deixou com uma angústia dentro do peito. A vida vale pouco demais. Pouco, demais. Pouco e demais...

A semana passa tão rápido quanto a seqüência que testemunhei. O fim de semana passa devagar. Sinto que é porque ele é vazio, está vazio, estou vazia. Minha vida fica vazia no fim de semana.

Eu não quero servir pra preencher a vida das pessoas quando elas podem e querem. Mas também não posso sair por aí dispensando todo mundo.
Minha terapeuta disse que essas relações não ideais fazem parte da nossa vida pessoal.

Eu não sei o que vou fazer com todo mundo. Com meu pai, minhas amigas, meus pretês, meus amigos, meus ex...

Eu não sei o que vou fazer comigo.

Meu pai fica triste porque acha que os 3 filhos que ele tem são complicados.

Eu posso falar por mim. Eu sou. E hoje estou uma pilha!

domingo, 1 de julho de 2007

Onde está o amor?

Há pessoas que nunca ficaram sozinhas. Sabe aqueles casos em que se encontra a cara-metade (vamos chamar assim só pra facilitar?) logo na juventude? E aí você ainda nem teve tempo de achar que esteve sozinho, de sentir solidão?
Há casos extremos, de gente que encontrou o companheiro (a) ainda na adolescência.
E aí essas pessoas, que nunca se sentiram ou ficaram sós, se mudam da casa dos pais para uma casa com outra pessoa. Ou seja, não tem mesmo jeito delas ficarem sozinhas.

Aí os anos se passam e essas pessoas que nunca ficaram sós se aventuram a dar conselhos pr´aquelas pessoas que, como eu, ficaram e estão sós há muito tempo. E elas acham que entendem essa coisa de viver só.

Na verdade, viver sozinho aos 30 e poucos ou aos 30 e tantos anos é quase a mesma coisa do que viver junto aos 30 e poucos ou aos 30 e tantos anos.
Com o passar do tempo, a gente se relaciona com cada vez menos gente. Ficamos mais seletivos, escolhemos melhor os amigos e os programas.
As pessoas que sempre tiveram alguém geralmente se relacionam com os seus familiares e 1 ou 2 casais de amigos e só.
As que ficam sozinhas se relacionam com 3 ou 4 amigas (os) e a família de origem. E só.

A diferença básica é que estando só, você dorme sozinho, toma café da manhã sozinho, almoça sozinho, assiste à novela sozinho. Ah, e se estiver numa fase meio reclusa como a minha, você simplesmente não faz sexo!!!

E essas ocasiões fazem toda a diferença.

Eu queria saber como é acordar todo dia ao lado de uma pessoa só. Queria saber se eu seria capaz de viver com ela todo dia.

Quando estava apaixonada, eu queria muito isso.
Mas tomar uma decisão como essa, no meu caso, depende de gostar, de amar. E aí é que a coisa pega.

Ando convivendo muito com um ex-namorado de uns 5 anos atrás. Adoro a companhia dele, mas só. Ontem ele me disse que me amou. Num tom assim de quem ainda ama. Complicado isso. Porque eu nunca o amei. E sei que isso não vai mudar. É uma pena porque assistir à novela com ele foi muito bom!

Será que é isso que importa?

E o amor?

Where´s the love? The love, the love, the love...

sexta-feira, 29 de junho de 2007

EGO TRIP

Finalmente!
Depois de um turbilhão chamado semana pós-plantão, estou exatamente onde eu queria estar, fazendo exatamente o que eu queria fazer.
Demorou pra eu me encontrar com quem eu mais queria -- eu mesma. Ego trip total!

Meu décimo segundo dia de trabalho sem folga começou com um pesadelo. Às 5h30 da manhã já não era mais possível dormir. Queria ter dinheiro suficiente pra sustentar a minha mãe pelo resto da vida dela...

Fui vestir uma das minhas calcinhas preferidas. Estava furada, a ferro, em dois lugares diferentes. Fiquei estática, olhando pr´aqueles dois furinhos e pr´aquela marca da ponta do ferro. Fiquei frustrada. Devo ter mais de 20 calcinhas. Quem sabe mais de 30? Não contei. Mas não gostei de ver que uma calcinha minha tinha sido massacrada, assassinada, ferida e a sua algoz foi incapaz de me deixar um bilhetinho que fosse. Não, preferiu guardar a calcinha, dobradinha, limpinha e passadinha como as outras no saco de calcinhas e esperar por esse meu momento solitário de descoberta e frustração.

Coloquei outra, que eu também gosto muito. Ganhei de presente de uma colega de trabalho. Adorei.

O episódio da calcinha me remeteu imediatamente pra minha carreira e a crise profissional que só eu vejo que estou passando. Creditei ao meu novo horário de trabalho e ao fato de que não me encontro mais com a minha faxineira, que vem em casa uma vez por semana, o incidente com a calcinha.

Não consigo pedir que ela faça coisas, não consigo me lembrar do que quero pedir. Quando deixo um bilhete, ela entende metade dele. 25% por causa da minha péssima letra (um dia ela já foi bonitinha, mas o computador a transformou num garrancho digno de médico!), 25% por causa do analfabetismo funcional dela. Quando ela me deixa um bilhete, entendo pouco -- pelos mesmos motivos...

Quando peço pra ela me ligar, estou tão concentrada no trabalho que não me lembro das coisas que quero pedir, das orientações que quero passar. Fora que ela me pede desculpas a cada frase dita - por mim ou por ela. Ela é ótima de limpeza, de total confiança. Por isso fico com ela.

Mas hoje, sem querer, achei a solução para o meu problema com ela.

Vou pagar um curso de doméstica para ela, nas minhas férias. Agora só falta ela aceitar!

Tudo para ter alguém que administre os 38 metros quadrados de vida privada que eu tenho. Parece pouco, mas não é.

Os 38 metros quadrados são meus. Quando olho assim em volta, vejo as coisas que eu comprei, adquiri, fiz pra mim mesma. Tudo pra facilitar a minha própria vida. E me assusto com o volume de coisas que apenas UM ser humano pode angariar.

Nos meus 38 metros quadrados cabem um banheiro que tem box de blindex, uns 6 ou 7 shampoos diferentes e 1 condicionador. Tem um chuveiro chinfrim, mas com bastante água e bem quentinha. Tem tampa de privada que combina com a cor da louça. Tem um mega espelho e um armário bonitinho. Dentro desse armário tem muita coisa, muita maquiagem, cremes, secadores. Tudo no plural.

Tem também um quarto, digamos. Onde há uma cama queen size, com colchão de 38 cm de altura. Só pra mim. Só pros meus 1,60 metro e 50 quilos. E um super armário branco que mandei fazer sob medida. São 3 portas enormes. E lá dentro? Vixxxiii... Como tem coisa! Sapatos, bolsas, sandálias, botas, casacos, pijamas, calças, saias, bermudas, blusas, camisas, vestidos, lingerie, meias, brincos, anéis, pulseiras, roupas de cama, toalhas, documentos, livros... Tudo, só pra mim. Tem também meu computador, meu Ipod e minha câmera digital.

Na sala tem TV, DVD e vídeo. Tem aparelho de som. Dois. Tem livros, CDs e DVDs. Uma mesa de jantar. Na varanda tem a minha cadeira de madeira, coisa bem mineira.

A cozinha é completa, tem geladeira, fogão, depurador, armários bonitos feitos sob medida. Dentro deles? Tudo o que você puder imaginar! Incluindo taças, copos, louça, tudo do bom e do melhor, como dizia a minha falecida vovó. Só tá faltando um bom jogo de panelas (as minhas estão horríveis!) e uma panela de pressão e uma batedeira. Na geladeira, sempre tem alguma coisa pra jogar fora. Isso porque nos supermercados quase não se vendem coisas para UM ser humano só. E sempre tem belisquetes gostosos e bebidinhas geladas. Tudo para o MEU prazer.

E na minha área de serviço tem um tanque, uma máquina de lavar, um varal, um armário cheio de material de limpeza!

UFA! Acredite se quiser, tudo isso em 38 metros quadrados!

Quando me mudei pra cá, fiz a limpa. Doei coisas, tentei reformular minha maneira de vida. De 6 em 6 meses tento doar roupas, sapatos, essas coisas. Mas o ímpeto de consumir pra ME satisfazer voa mais rápido!

Bem, não bastasse tudo isso, agora quero alguém que administre esse terreno. Porque quero chegar em casa e não ter surpresas, furos...
Já que tenho que chegar e organizar isso TUDO, que pelo menos eu tenha alguém pra me ajudar!!!

Sou egoísta mesmo. É tudo o meu umbigo. It´s all about ME!

Mas hoje sinto que pertenço a um mundo. Numa matéria que tô fazendo tem uma médica. Da minha idade, assim. Solteira. Mulher batalhadora. Tem hora pra sair, mas não tem hora pra chegar em casa. Ela tem um apartamento muito maior do que o meu. E muito mais organizado também. Tem dois cachorros. E uma empregada doméstica. Dessas de confiança. Dessas pra quem você entrega a vida. E essa médica entrega a vida dela à empregada.

Minha amiga, uma diretora financeira poderosa, também da minha idade, solteira também tem uma empregada. E o apartamento dela parece um show room, de tão arrumado (palavras dela).

Minha outra amiga, colega de trabalho que vai se casar no dia 12 de abril do ano que vem, tem um apartamento um pouco maior do que o meu. O dela tem dois quartos. Mas ela vai se mudar pra casa do noivo no mês que vem. A casa dela é um brinco e ela só vai se mudar pra casa do noivo quando tudo lá estiver um brinco também.

É assim esse grupo de mulheres ao qual eu pertenço. Fazemos de tudo para facilitar as nossas vidas, para arrumar tudo, para termos o controle sobre tudo, para termos mais qualidade de vida.

E é por isso que estamos sozinhas (toda regra tem exeções, claro!). É porque queremos explicação e eles só querem fumar um beck, pegar na sua bunda e dirigir tomando uma cerveja da sua casa pra dele.

Bem, hoje meu apartamento tá completamente zoneado. Isso quer dizer que eu, sozinha, não consigo trabalhar, fazer unha, depilar, ir à terapia, ir ao centro espírita, sair, tomar um choppinho numa happy hour, ir a um vernissage, pegar trânsito, ver a novela, jantar fora, beijar na boca, dormir, ir ao ginecologista, cozinhar pra amiga, lavar a louça depois, ligar pra irmã e pra mãe, renovar o seguro do carro, pagar as contas, ir ao supermercado, visitar uma amiga e ainda arrumar tudo.

Eu avisei, essa é uma EGO TRIP!

domingo, 24 de junho de 2007

Anos 80

Tenho 34 anos. E ainda não aprendi.
Estou sofrendo de ansiedade, minhas unhas estão todas roídas. Nem tenho mais o que roer.
Detesto não saber o que fazer.
Ficar imaginando, inferindo... quando está tudo tão claro... Ou não.

Mas fico me perguntando por quê, do alto desses meus 34 anos, ainda não aprendi a não ligar se o cara não liga, a não esperar...

Acho que prefiro ficar quieta no meu canto.

As emoções de um novo encontro, no começo, trazem insegurança e desassossego. Não quero. Quero paz e amor. Já basta a loucura, às vezes a festa e o inferno que estão dentro da minha cabeça constantemente. Às vezes ao mesmo tempo.

O problema é o coração vazio. Por que eu não consigo ficar feliz com o coração vazio? Pra esse órgão vital deve ser muito melhor, bater estabilizado, num único compasso, sem sobressaltos...

Na quinta à noite, quando a gente se beijou, meu sono foi embora. Aí ele disse, sem saber que eu estava sentindo que meu sono tinha ido embora, que era bom ficar acordado porque as coisas felizes nos mantém acordados e que isso quem provoca é a serotonina. Eu adorei isso...

E ele disse que gostou do meu cabelo à la anos 80. Logo o meu cabelo! Tô tão em crise com ele... Pra mim, é difícil aceitar que tenho um "mullet" e que às vezes pareco o Chitãozinho e o Xororó ao mesmo tempo. *
Ele disse que eu parecia uma argentina. Mistura de mineira com argentina. Parece mais paraguaia, né?

E ele me falou pra eu não esquecer dele... E eu falei pra ele parar de falar bobagem.

E acabou. Vim embora pra dormir, mesmo sem sono, porque as galinhas sempre me acordam. Força do trabalho.

Mas vim tranqüila porque achei que até sábado não ia dar tempo de esquecê-lo. Pelo contrário. Mas ele mandou um e-mail. E depois não apareceu.

O que fazer com essa expectativa frustrada?

Fui dormir. Hoje tô descansada, sem olheiras. Meu cabelo tá totalmente anos 80. Concluo que só posso gostar de ter cabelo à la anos 80. É tão minha época!!!

E ainda não aprendi nada...


* Vi o Xororó no restaurante da TV. Fiquei chocada. Muito botox e muita roupa de marca internacional. Credo! Onde foram parar os legítimos trajes caipiras? Agora entendo essa passagem do tempo, do caipira que virou brega. Ou que nunca deixou de ser. Apenas se globalizou. Que pena...

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Complete as lacunas

Hoje me sinto _ _feliz.
Mas tenho medo de descrever o sentimento e imortalizar que _ _ _ estou alegre.
E aí legitimar essa _ _felicidade...

Me _ _ _entendi com um colega de trabalho.
Ele me _ _ _respeitou.
Mas não foi o único.

Meu ex-chefe _ _ _ me cumprimentou.
Meu ex-namorado fez cara de _ _ _ _ _ _ amigos.

Vim embora pra casa _ _.
_ _ _ gostei.

Quando me olho no espelho, _ _ _ ando gostando do que vejo!
Minha boca está _ _formada por causa do frio.

Alguns sufixos, prefixos denotam coisas _ _ _ _ _ _ _ _ _.
Há lacunas que não se preenchem com letras.
Mas pelo menos gosto da novela das 8.


((palavras e/ou sílabas para auxiliar o preenchimento: não, poucos, só, des, negativas, mal, de, in. as opções podem ser usadas mais de uma vez.))

terça-feira, 29 de maio de 2007

R$ 100,00

Hoje ele me chamou de cara-de-pau. Assim, sem mais nem menos.
Fiquei com cara de quem não entendeu nada.
E com cara de quem pergunta "o que foi que eu fiz dessa vez?"
Que eu saiba, não fiz nada.

E a ficha demorou a cair.

A raiva só veio quando ele ligou pra pedir desculpas.
Eu não podia falar, estava numa reunião.
Idiota, liguei depois. E ele disse: "Era só para pedir desculpas."

Aí veio a ira, o gosto amargo na boca.

Ele me bateu sem me encostar, me feriu sem me acertar.
Esse inferno é dele e não tenho nada a ver com isso.

Cansei, cansei de você. Já deu.

Pela primeira vez hoje falei verdadeiramente que queria nunca mais vê-lo. Mas isso não é possível. Mas já dei um passo à frente.

Essa pessoa me faz mal, definitivamente. O bem que ele me faz não compensa o mal porque o mal vem quando eu menos espero e, muitas das vezes, atrelado ao bem. Isso me confunde. Não quero mais ficar confusa.

No Espiritismo se diz que o que sai da boca vem do coração.

Não que ele me ache cara-de-pau, mas que ali o sentimento por mim é carregado de energias erradas, ah, isso é!

Mas o bom da vida é isso. Uma coisa que aparentemente é ruim , no fundo, é libertador.

Então, falemos de coisas boas.

Tô impressionada com a profusão de bebês que estão dando as caras neste mundo: Gabriel, Davi, Guilherme, Rafael, Arthur, Bárbara e Clarice... Sejam bem-vindos, né?

Ontem achei R$100,00 que eu tinha deixado "escondido" pra não gastar... Isso não é bom demais da conta????

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Bolo

Hoje de manhã, no café, pra variar, pedi um bolo de fubá...
Não sou muito fã de bolos, mas esse estava especial -- com côco, mas só de leve que é pro côco não ganhar todo o sabor...

Pois bem, naquele momento em que eu queria apenas me esquentar, me alimentar e variar o café da manhã (fora o kit 2!!!!), mal sabia que eu terminaria o dia levando um bolo. Outro.

Não posso reclamar, esse tampouco teve gosto ruim.

Houve um bolo que levei uma vez que deixou marcas... Nunca mais o cara teve o prazer de ter comigo. Não sou do tipo vingativa, mas não sou boba.

Não é comum eu levar um bolo. Geralmente são mais eles que querem me encontrar do que eu. E nem sei se posso chamar o desta noite de bolo...

Sem querer, naqueles dias em que mais estou vulnerável, sonada, cansada, mal humorada -- e hoje foi um desses dias -- vou sendo testada. E, idiota, vou abrindo brechas, deixando que entrem devagarinho de novo...

E eles vêm pé antepé.

Mas o que eu queria mesmo era um pé na porta, era um chegar sem avisar, era um beijo arrebatador, cheio de saudade, era um fazer amor, paixão, tesão. Pra não poder e não conseguir pensar em nada. Pra não planejar. Mas pra sobretudo não sentir medo por ter aberto essa porta de novo...

Tô partida ao meio...

Tive alguns poucos momentos de doçura durante o dia. Mas com ele, é demais! Como eu posso, depois de tudo? Como posso dizer me derretendo toda "Não queria falar sobre isso hoje... Vamos falar sobre o tempo? Como tá friiiiiooooo!!!"

A manicure e a cabeleireira eram testemunhas, ficaram chocadas. E eu nem mesmo enrubesci...

Pro amor não tem essa de ter vergonha na cara, né?

Eu queria ouvir dele "Eu te amo" e queria retribuir "Eu também te amo". Mas tá bom. É bom quando ele me chama de baby e fala "Eu sei", quando tô falando de mim. É bom um homem que te conheça. Ele já me conhece, ele já sabe.

Eu tenho saudades disso. Talvez por isso tenho tanta dificuldade em começar com um alguém novo, alguém que não saiba. Porque quero estar logo nesse nível de intimidade do saber um do outro. Aí acabo voltando pr´aquele que eu já conheço, aquele que já sei... Aquele que me dá o céu e o inferno.

Eu não quero mais o inferno.

Mas ainda não deixei de querê-lo.

Vivo sem ele muito bem. E quando acho que já não sinto a sua falta, ele põe um pezinho na porta que eu, sem perceber, deixei entreaberta.

Hoje, ele não entrou.

Tomara que da próxima vez eu não tenha deixado a porta entreaberta. Tomara que eu saiba então o que é melhor pra mim.

Amar e ser amada, mas não ter paz? Ou seguir no meu caminho numa solidão que não pesa, mas que me impede de dormir?...

Mas tudo bem, estou feliz. Ainda amo. Ainda sou amada.

terça-feira, 22 de maio de 2007

E o Zeca também...

taí, sem saber, escrevi sobre o mesmo assunto que o Zeca Camargo. Com a diferença que ele é colunista de um site. E eu, uma bloggeira iniciante...

Mas não é que a gente tem mais ou menos a mesma opinião?

Vai lá ver: http://g1.globo.com/Noticias/Colunas/0,,7373,00.html

Vai tomar...

Acho que meu pai tá ficando velho... Mandei por e-mail para a minha irmã a melô do c*, que tá fazendo o maior sucesso no You Tube... Minha irmã abriu na frente da minha mãe, que se disse em choque, mas riu um pouquinho... Entendeu que tem gente louca, meio à toa, que compõe essas coisas e posta na internet.

Meu pai, por sua vez, riu, mas disse assim: "Quem pode fazer uma indecência dessas? Uma moça com uma voz tão bonita..."

Achei a frase mega puritana, mega careta! Como assim indecência??? Essa palavra eu não ouvia há muito tempo. Acho que justamente por causa do teor pejorativo dela...

Logo ele, que sempre falou palavrão, sempre foi meio indecente? No bom sentido da palavra... Tipo pessoa à vontade, que fica pelado meio sem cerimônia, tira meleca do nariz enquanto assiste TV e, principalmente, adora falar bobagem, rir de bobagem?

Acho que meu pai tá ficando velho...

Não é que descobri hoje, numa matéria do site g1 (http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL40107-7084,00.html), que a música foi feita por gente bem DECENTE, gente como a gente, gente como eu, como meu pai, talvez?

Bem, já fazia algum tempo que vinha notando essa velhice do meu velho... Mas quer saber? Ele tá bem feliz assim, vendo novela, grudado na mulher dele, que faz todas as vontades dele (e que não é a minha mãe). E se ele tá feliz, tudo bem... Ele pode até ser careta, preconceituoso. Eu deixo, ele é meu pai. Ele pode.

Mas ainda bem que ele está ficando velho, porque ele não gosta de internet e não vai ler o que escrevo agora... risos... Ele é autoritário, vaidoso, não ia gostar de saber que estou falando dele nesses termos...

Agora, será que quem está sendo preconceituosa sou eu? Será que não é normal gostar de uma melô que só fica falando palavrão???

A ver...

terça-feira, 15 de maio de 2007

Freak control

O tema do dia é o controle.

A importância que eu dou ao controle, a ter controle...
O cúmulo do controle é transformar o sono numa tarefa. Foi isso que eu fiz e é isso que eu tenho feito. Já que não consigo dormir, começo a fazer tudo o que mandam fazer pra que alguém durma: tomo banho quente, tomo chá quente, comprei uma cama caríssima que ainda não paguei, comprei lençóis de percal, fio 180, 100% algodão, desligo o celular, apago as luzes, conto carneirinhos... E nada.

Durmo um sono leve. E sonho coisas estranhas.

Ontem briguei com meu ex-chefe por causa do Nextel. A briga do sonho/pesadelo era só a continuação de uma briga estúpida da vida real.

Hoje acordei depois de parir um bebê. Foi tão fácil que me animei. Ele nasceu esquisito. Mesmo assim o amei imediatamente porque era meu filho. Demorei pra abraçá-lo porque tava sem entender. Mas quando abracei, senti o calor bom que o amor provoca. Ele tinha dentes estranhos. Tinha que resolver isso rápido (olha o controle aí). Aí acordei.

Cansada. Morta. Sem ter dormido direito.

Também, quando vejo que não tô dormindo mesmo, penso logo: tomara que a hora passe logo pra eu levantar logo, ir trabalhar logo. Enfim, continuar com as tarefas que se seguem à de dormir...

O Ricardo me falou que a gente deu errado porque eu não me entreguei. Ainda bem que ele sabe disso. Que alívio não ter precisado dizer isso pra ele - de novo. Foi no jóquei, durante os páreos da noite. Tinha cavalos legais. Adoro cavalos.

Aí falei isso pra minha terapeuta e ela me disse que até para dormir eu preciso me entregar...

Isso me pegou... Preciso me entregar, preciso deixar de controlar, preciso relaxar...

Ela disse que até a minha nova paixão foi escolhida a dedo porque posso continuar controlando. Aí já não sei, fiquei de pensar.

Fiquei louca da vida sem controlar a matéria da missa pro Fantástico. Ando ficando louca da vida sem controlar as matérias que vão pro ar por causa do dead line apertado...

Ai, ai...

Quero deixar de ser 'freak control'...

Se eu tivesse alguém aqui no meu apê comigo, não precisava ser um homem, melhor que fosse, acho que eu me entregaria.

Será? Será? Será?

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Segunda vagabunda!

Minha amiga diz que eu tenho que relaxar...

Tem um monte de coisas que podem nos fazer relaxar... Mas eu nunca perco a memória, sempre me lembro de tudo. Mesmo bebendo. Mesmo quando e nas raras vezes em que me droguei. Por isso droga não é a minha praia. Sempre levei gato por lebre. Nunca perdi a CONSCIÊNCIA...

Tem coisas que esqueci. Mas por fruto da minha memória seletiva ou do meu senso de proteção interno, insconsciente. Subconsciente, aliás.

Hoje tô vivendo um desses dias vagabundos...

Que delícia...

Sono, internet, livro, vinho, macarrão, chocolate, banho quente... Tudo com trilha sonora!

Hoje falei pela primeira vez via web usando a câmera! Que legal!!!!! Foi com alguém que tinha saudades... É bom alguém te receber bem, né?

Mas isso me lembrou do livro que tô lendo. O cara beija e a mulher se deixa beijar, mas não retribui. Me disseram que eu ia me enxergar na personagem. Verdade, me enxergo.

Mas bom mesmo seria ter saudades também. Dizer: "Também estou com saudades de você!"

É diferente de sentir e não dizer. Porque muitas vezes já senti e não disse porque não consegui dizer...

Já não disse TE AMO, quando amava muito. Ou não disse EU TAMBÉM, quando também queria dizer.

Mas tá bom, cada um tem um lugar na nossa vida. Na minha prateleira da vida, ele, o da câmera via web, tá em cima. Não no topo, mas tá em cima.

E no final das contas, tenho saudades também. Saudades de quando eu pelo menos tentava, mesmo me deixando beijar...

sábado, 12 de maio de 2007

Nossa Senhora Aparecida

O bom de viver é que tem um monte de coisas que você lê, um monte de casos que você ouve e que, apesar de a gente compreender o que está lendo ou ouvindo, a gente não consegue entender. Até que um dia - BANG!

Aquilo que você leu ou ouviu acontece com você!

Já tinha lido ou ouvido que um amor pode nascer de uma amizade. Nunca tinha acreditado nisso porque nunca tinha vivido isso.

Hoje acredito. E acho bom. Que experiência boa saber que a gente pode gostar ainda mais de quem a gente gosta!

Melhor ainda é saber que se sabe cultivar esse amor de longe ou de perto.

Hoje conheço Aparecida.

E vou ver se ela olha por mim!

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Tô à toa...

Adoro o Homem-Aranha!
Mas prefiro O Homem Aranha 2 do que o 3.
Gosto do Homem-Aranha porque ele é um homem comum, com conflitos que todo homem comum tem.
O poder lhe subiu à cabeça, ele ficou se achando e aí, claro, achou que podia beijar uma mulher, mesmo amando outra. Isso porque ele é demais, a mulher dele ia entender, ia perdoar.
O pior desse Homem-Aranha "negro" é também o melhor! Ele é tão mais divertido perverso!!!
De novo, o mal que é bom. Ou melhor, o mau que é bom.
Lição do dia: a gente SEMPRE tem escolha...

sábado, 5 de maio de 2007

Um Sábado Bom (com letra maiúscula!)

Hoje escrevo porque sei que você vai ler.
Mas também porque tenho idéias...

Hoje tive uma vontade. E há vontades que a gente sacia imediatamente. Essas, são vontades boas.
Tive vontade de comprar um livro.
Acabo de comprar dois: The Secret - O Segredo, de Rhonda Byrne e Travessuras da Menina Má, de Mário Vargas Llosa. Sugestivos títulos... O primeiro é só pra saciar uma necessidade jornalística. O segundo é pra saber se existe mesmo uma menina má e se existir, se ela não sente culpa por ser má. Porque bom mesmo deve ser ser má sem culpa...

Sou adepta da internet. Totalmente. Dependente até.
Mas fiz um caminho diferente.
Entrei por outras ruas, parei em frente a uma livraria, conheci um pouco mais o bairro onde moro.
Conversei com uma vendedora que já leu mais do que eu.
Impedi que ela me contasse o final de um livro que acabei não comprando.
A internet é boa, mas o contato, o tato, o concreto também tem lá a sua vez.
Hoje foi a vez da vida real.
Cheguei em casa com um gosto bom.
Mesmo depois de quase 12 horas de trabalho.
Seguramente, a primeira vez que um sábado de trabalho não me custa tanto!

Estou há 3 meses sem transar.
Confidenciei isso hoje achando que era muito. Não é. Ou é. Depende do ponto de vista.
Meu recorde foram 11 meses, uma vez, há sete anos.
Estava me "guardando" pra alguém bom.
Foi legal, mas o bom virou ruim rápido demais.
Aí decidi que era perigoso se "guardar"...
Agora não sei o que tá acontecendo. Não sinto vontade de compartilhar a minha intimidade com quem realmente não tenho e não quero ter intimidade.
Que droga de falta de vontade!!!... Porque vontade é vida e sexo é vida...
Essa é uma vontade boa às vezes que não pode ser saciada imediatamente. E ruim também ás vezes. Nesse caso, ainda bem que ela não pode ser saciada imediatamente...

Mas hoje é um sábado bom. Noite quente, aconchegante.

Me desculpem os livros que, com certeza, vão me contar histórias da vida, mas hoje é dia de balada!

sábado, 28 de abril de 2007

Johnny Cash & June Carter

Hoje assisti ao filme Johnny & June pela segunda vez.

Da primeira, saí do cinema aos prantos, com um aperto no coração. Abracei meu namorado no caminho pro estacionamento do shopping. Foi um abraço apertado, doído... Chorava copiosamente.

Estranho porque a história, apesar de tudo, tem um final feliz. Eles ficam juntos, mas tão juntos que um só durou 4 meses a mais do que o outro neste mundo.

O mesmo sentimento ficou depois que vi o filme Ray, que conta a vida de Ray Charles. Também teve final feliz, mas fiquei com um amargo na boca.

Mas Johnny & June mexeu mais ainda comigo porque, na ocasião, o que eu senti é que o nosso amor, meu e do meu namorado, não era forte o suficiente pra ficarmos juntos, pra superarmos a vicissitudes da vida juntos, pra nos mantermos juntos... Nós não seríamos capazes de passar por aquilo tudo juntos. Vencer a sociedade da época, vencer as drogas, vencer os desencontros.

Hoje, um ano depois que terminamos, meu pranto tinha razão de ser. Não estamos mais juntos. Resistimos muito pouco um com o outro. E ao assistir de novo, por acaso, na TV a cabo, Johnny & June, tive a certeza de que meu sentimento não estava enganado. Ele veio de novo, mas com muito menos força, menos intensidade.

Ainda procuro alguém que possa suportar a vida junto comigo e eu com ele.

Mas ando tão sem esperança...

Queria estar mais otimista -- comer um sanduíche com alho frito no sábado à noite, antes da balada. Porque, afinal, quem me garante que da mesa da lanchonete eu não encontre filas pela frente e vá direto pra casa escovar os dentes?

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Beber sozinha

Sucumbi...

Agora também bebo sozinha.
Coisa rara de acontecer, mas aconteceu!
Não consigo dormir, estou no aconchego da minha casa.
Tomo um carmenère, como um emmental... Tem amendoin com mel.
Não reclamo.
Mas acho bizarro. Estranho se acostumar em viver sozinha.
Não sinto. Nem muito, nem pouco.
Estou em paz!

domingo, 22 de abril de 2007

Resistindo...

O mal é bom e o bem, cruel.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Hoje vi São Paulo e, consequentemente, a vida por um outro ângulo!

Tomei banho com a primeira luz do sol no céu!

Saí de casa tão cedo, que vi a vida acontecendo junto com um monte de gente! Vi pedestres tentando atravessar as ruas -- muitos -- onde normalmente, quando passo, não há nenhum.

Vi que estar no contra-fluxo é bom. Não tão no contra-fluxo da minha vida de vampira.

Sentido centro-bairro é melhor.

Vi que chegar ao trabalho pode ser mais fácil (há mais vagas no estacionamento) e mais silencioso (as pessoas ainda estão vivendo de mansinho).

Vi que posso estar de bom humor mesmo tendo dormido tão pouco!

Vi também amor fraterno nos olhos de quem não me vê todo dia, de quem de repente se lembra da minha existência.

O dia não foi fácil. Palavra que minha amiga Val diz que não existe no dicionário de um adulto.

Teve lágrimas e dor.

Mas eu sobrevivi.

E vi São Paulo à noite fazendo parte da cidade. Não mais trancada no meu mundo televisivo.

Vi o shopping lotado, vi o trânsito complicado.

Vi e gostei.

As mudanças me apavoram, mas me mostram...

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Noite Preta

Hoje o que eu tô com vontade de escrever é o seguinte: já reparou que numa escada em caracol, se os degraus forem de madeira, vai ter um lado que vai ficar mais gasto do que o outro?

terça-feira, 17 de abril de 2007

Dia de Outono

Adoro Outono!
Adoro Outono em São Paulo!
Devo adorar Outono em BH também! Só que já faz muito tempo...
Então, fico com a lembrança mais recente.

Quase quatro da tarde, céu limpo, sol na medida certa, os prédios ao fundo... Bonito, até!

Não tinha trânsito.

Mas descobri, por pura falta de gentileza urbana e obediência às regras de trânsito alheias, que existe uma cidade em São Paulo que se chama Laranjal Paulista e que lá tem um cara ou uma mulher que é muito mal educado (a) e que não respeita a preferência... Ele (a) tem uma Mercedez moderna, tipo modelo sport... É preta, e tem as seguintes letras na placa: DEX e final 1. Se alguém o (a) vir por aí, pode mandar ele (a) tomar ... pra mim???? risos...

Mas o episódio, tão comum em SP, me fez pensar em duas coisas:

Será que modelos modernos combinam com a marca Mercedez? Modernos, modernos mesmo, saca!!! Design super arrojado, linhas ousadas... Não sei, não... tsc, tsc...

Será que só por que está numa Mercedez, ele (a) acha que pode não respeitar a preferência ou eu tô com preconceito contra quem tem uma Mercedez?

Música da noite (é brega, mas acho que tem tudo a ver com o momento de desencontros):

Eu sei
Papas da Língua
Composição: Serginho Moah e Fernando Pezão

Eu sei, tudo pode acontecer
Eu sei, nosso amor não vai morrer
Vou pedir, aos céus, você aqui comigo
Vou jogar, no mar, flores pra te encontrar
Não sei, porque você disse adeus
Guardei, o beijo que você me deu
Vou pedir, aos céus, você aqui comigo
Vou jogar, no mar, flores pra te encontrar

You say good-bye, and I say hello
You say good-bye, and I say hello
Ohohoh
Yeah yeah yeah yeah

Não sei, porque você disse adeus
Guardei, o beijo que você me deu
Vou pedir, aos céus, você aqui comigo
Vou jogar, no mar, flores pra te encontrar

you say good bye and I say hello
you say good bye and I say hello
ohohoh
Yeah yeah yeah yeah

segunda-feira, 16 de abril de 2007

16 de abril

Hoje é o aniversário de término do meu namoro.
Um ano sem aquele que até hoje foi o grande amor da minha vida.
Era pra ser um dia de luto.
Mas passou, depois de muito trabalho...

domingo, 15 de abril de 2007

Cheguei!!! Tem alguém aí???

Olá!

Gostaria que alguém me desse as boas vindas, mas pelo visto, sou eu a dar as boas vindas a quem quer que seja.

É meu primeiro post, sou totalmente novata... Não sei ainda quem vai ler, se vou escrever sempre, se vou ficar ou desistir... Acontece que tenho necessidade de escrever. Conversar com a minha manicure, minha terapeuta, minhas amigas e com aqueles que eu acho que são meus amigos, já não está adiantando mais... rs... Que tragédia!

Como tenho muitas estórias engraçadas pra contar, eis me aqui... Mas não vou falar de coisas engraçadas, logo hoje!

Hoje eu quero falar.. Quero falar de uma experiência nova. Escrevo pra não pegar o telefone e ligar. Ligar pr´aquele que eu achava que era meu amigo. Eu sei, eu sei que não existe amizade entre um homem e uma mulher. Mas eu achava que existisse controle.

Ainda acredito em controle. Mas controlar custa tanto!!!

Sexta-feira me controlei demais, evitei que o nosso encontro físico, de fato, acontecesse. Tudo em nome daquilo que eu acreditava... Que é melhor ficar sozinha do que com um homem pela metade (ou seja, com alguém que já tenha alguém...).
Agora que o perigo passou, a situação mudou e eu tô sozinha em casa, começo a colocar meu auto-controle em xeque... Vontade de pegar o telefone, assim como quem não quer nada...

Mas, pra variar, nosso momento de vida é tão distinto!!! O meu e o dele...

Esse início na blogosfera ocorre num momento de crise, num momento de questionamentos. Onde está tudo aquilo em que sempre acreditei?

Acho que estou apaixonada. Uma paixão proibida. E que pode durar bem pouco. Mas tô apaixonada e ponto. Neste caso específico, a paixão me dói!

Mas não era isso que eu queria? Não era me apaixonar, encontrar alguém que mexesse comigo?

Taí, encontrei. E ele tava do meu lado há muito tempo. E não pode ser meu.

Quer algo mais vivo do que isso?

Vamos vivendo, amigos! É isso que nos move...

Beijos platônicos, sonhos 'calientes'...

Cristie

P.S. - Chego homenageando meu amigo, Marco Aurélio. Aquele que me apresentou a blogosfera e que, infelizmente, não é mais meu melhor companheiro de plantão!
Beijos, querido!