Fiquei um tempão sem escrever. É que eu estava feliz...
É como eu sempre digo, gente feliz é sem graça.
Os conflitos desaparecem, falta assunto!
Mas não é que não demorou e a confusão voltou?
Foram mais ou menos 2 meses de paz.
E depois as primeiras 2 semanas de volta ao que eu sempre fui (não que isso me agrade... estava bem contente feliz mesmo!)
Acabo de chegar de BH -- fim de semana intenso, de emoções fortes, carregadas.
Estou cansada e com a ressaca de quem chorou muito, não se conteve...
Minha prima de 27 anos se casou. Apaixonada, não precisou de muita coisa. Um lugar relativamente bonito, um vestido campestre, flores no cabelo, um falso altar, família, amigos e o principal - o noivo.
Foi lindo.
As declarações de amor eterno que eles fizeram... As famílias onde nem sempre imperou o amor, unidas, emocionadas...
E lá estava a nossa família, tentando sobreviver...
Minha tia, que quase não chega pra ver o casamento, esbravejou na escola do filho pra conseguir que ele fizesse uma prova mais cedo. O argumento: uma das minhas sobrinhas, que nunca se casam, vai se casar hoje!!!!!
Eu estou entre as sobrinhas que nunca se casam. Aliás, nunca me casei. Minha irmã também não. Portanto, o casamento de uma de nós, no caso, o da minha prima, é mesmo um evento!
Nunca se sabe mesmo se vai haver mais casamentos. Eu até espero que sim. Desejo que sim. Mas temo que muitos de nós não tenhamos esse talento...
Não rola pressão, mas rola uma vontade danada de ver todo mundo feliz! Sei que a minha tia quer me ver do mesmo jeito que viu minha prima. Não vestida de noiva, não fazendo pose pra foto, mas, sim, feliz, fazendo juras de amor eterno que, no caso, eu sei que eles acreditam piamente que é isso que vai acontecer. Quer saber o que eu penso? Amém! Tomara! Oxalá!
Bem, mas o casamento, né...
Então, foi lá no casamento e por telefone mesmo que mais um relacionamento meu teve um fim. Não foi nada agradável... Ainda mais depois de ver duas pessoas, um homem e uma mulher, tão felizes só por estarem juntos! Seria providência divina? Sorte?
Hoje foi o dia seguinte ao casamento... E como casamento significa na nossa sociedade esse ideal que se tornou real para a Letícia e para o André, isso mexeu também com a nossa família...
Fomos visitar meu tio que está com câncer. Enquanto a gente via as fotos do casório, me sentei ao lado dele. E ele contou que perguntou ao filho dele, o único que ele tem, se ele não ia se casar antes de ele morrer... Meu primo, que tem 25 anos, nem namorada tem. E a doença do meu tio avança a galope pelo seu corpo já fragilizado...
Não, infelizmente meu tio não vai ver o filho dele se casando. Pelo menos não nessa dimensão. E ele não vai ver o meu casamento também, se um dia ele acontecer.
Mesmo assim, fiz ele me prometer que ele estaria presente, que faria alguma coisa pra que eu soubesse que ele estava ali.
Bastou. Segurei na sua mão, ele me pediu pra voltar mais vezes e eu desabei.
Como vou voltar mais vezes se escolhi morar em São Paulo, longe da minha família?
As nossas mãos dadas, pode ter sido a última vez. As nossas risadas, os nossos papos, pode ter sido pela última vez.
Como é cruel ver alguém que você ama indo embora aos poucos. E sem querer ir...
De repente aquele corpo com vida, cheio de histórias, de interesses, de personalidade, de individualidade, vai morrer. E vai fazer uma falta imensa, vai abrir um buraco na gente!...
Meu único consolo é que sim, um dia ainda posso me casar e sim, se isso acontecer, meu tio vai estar lá!
domingo, 7 de outubro de 2007
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