quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Passagem

O mundo andava girando em volta do meu umbigo.

Embriagada de felicidade e agradecimento, me permiti esquecer o sofrimento.

Egoísta, fingi que não via que gente que eu amo estava penando!...

Ontem, vi minha estrela brilhar e, no fim do dia, um homem bom me abrigou em seus braços...

Confiante, abri meus olhos, vesti uma roupa sóbria e fui trabalhar. As poucas horas de sono nem contavam...

Mas o encontro com as vicissitudes da vida veio rápido.

Meu tio querido nos deixou.

Sem querer sair do meu estado de graça, não entendi.

Continuei a trabalhar, terminei de trabalhar, coloquei uma muda de roupa na sacola, peguei meu avião... Nenhuma lágrima. Nenhum sinal de que alguém que eu amo acabara de partir...

Trânsito, chuva e cheguei onde eu desconhecia.

No estacionamento, a verdade começou a crescer.

A realidade me deu um tapa na cara. Tinha uma placa. Uma placa com o nome dele.

Meu Deus!!!

Esse dia temido chegou... Vi o nome do meu tio querido estampado no mural dos mortos.

Deixei de levitar.

E o luto tomou conta de mim.

Um banho quente pra tirar o ranço. Nem assim, dá.

A proximidade com a morte marca. Detona.

Nem 15 dias sem folga, sob pressão e ansiedade são capazes de me esgotar assim...

É a força da passagem do mundo material para o espiritual.

Eu ainda fiquei por aqui...

E fiquei sem um pedaço de mim, da minha história, que insisto em escrever...

Por enquanto, vou ficar quieta. Estou triste sem você neste mundo, Tio Catide!

Mas vá em paz. Te amo!

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