sábado, 7 de julho de 2007

Um segundo para o fim do mundo

A seqüência de imagens foi rápida, muito rápida. Mais rápida do que consigo contar, muito mais rápida do que consigo descrever, muito, muito, muito mais rápida do que consigo escrever.

Num cruzamento de uma avenida com uma rua, um carro fecha um caminhão betoneira. O motorista do caminhão -- que é muito maior -- pra não esmagar o carro, vira para a direita de repente, tentando entrar na rua... Tarde demais. O caminhão desestabiliza com o movimento brusco e o peso. Hesita, mas tomba para a esquerda, bem na esquina. O barulho é seco, surdo. Levanta um poeirão. O motorista provavelmente foi esmagado pelo peso do caminhão. A placa que indicava os nomes tanto da rua quanto da avenida cai imediatamente após a queda do caminhão. À minha esquerda vejo um furgão da Polícia Militar. De dentro saem policiais de arma em punho. Vão até o caminhão e já começam a abrir caminho. O sinal que um deles faz é de negativo.

A visão me emudeceu, paralisou. E me deixou com uma angústia dentro do peito. A vida vale pouco demais. Pouco, demais. Pouco e demais...

A semana passa tão rápido quanto a seqüência que testemunhei. O fim de semana passa devagar. Sinto que é porque ele é vazio, está vazio, estou vazia. Minha vida fica vazia no fim de semana.

Eu não quero servir pra preencher a vida das pessoas quando elas podem e querem. Mas também não posso sair por aí dispensando todo mundo.
Minha terapeuta disse que essas relações não ideais fazem parte da nossa vida pessoal.

Eu não sei o que vou fazer com todo mundo. Com meu pai, minhas amigas, meus pretês, meus amigos, meus ex...

Eu não sei o que vou fazer comigo.

Meu pai fica triste porque acha que os 3 filhos que ele tem são complicados.

Eu posso falar por mim. Eu sou. E hoje estou uma pilha!

Nenhum comentário: