quinta-feira, 12 de junho de 2008

Presente de Dia dos Namorados

Carta para alguém bem perto:

Vou emergindo dos escombros, aos poucos.
Lá fora, tudo cheira a normalidade.
A minha respiração vai voltando ao normal.
Mas aqui dentro ainda há peças que não se encaixam, coisa quebrada, que tem espernça de um dia colar.

A devastação foi total.
Ficou tudo revirado, remexido.
Mas pela primeira vez meu movimento foi de me encolher, me esconder.
Quase não respirava para não ser notada, não queria ser resgatada.
Pior, queria viver, mas sem precisar da mão que poderia me salvar.
(Aquela mesma mão que já me salvou antes. Tantas vezes. E de forma tão definitiva.)
Sem precisar de você.

Durante semanas, meses talvez?, não dei sinal de vida.
Pior, te ignorei.
Pior ainda, te desprezei.
Parece que a nossa convivência nos desgastou...
Se não fosse esse movimento de bater em retirada, teríamos brigado.
Seria a nossa primeira briga.
Deus sabe o que faz.

Sozinha, fui ganhando força outra vez.
Mas por muitas vezes estive num canto escuro, encolhida.
Às vezes meu pensamento ainda me leva até lá...
Mas essas idas têm diminuído.

Enquanto eu ficava inerte, a esquizofrenia tomava conta de mim.
Não queria mais você.
Mas por que você nunca questionou?
Por que nunca me procurou de verdade?
Ainda bem que não o fez.
Ia dar merda.
Era capaz de eu te dizer umas poucas e boas.
Deus sabe o que faz.

Você não me fez nada.
Mesmo assim me irritou.
Culpa muito mais minha do que sua.
Mas de alguma forma foi bom dar um tempo.
Estava cansada das suas histórias do dia-a-dia...

Você respeitou o meu tempo.
Respeitou meu sentimento.
Não furou a minha bolha.
Deve ser por isso que hoje posso sentir carinho outra vez.

Se a gente morasse juntos, feito homem e mulher, talvez a coisa tivesse se complicado.
Mas eis a beleza da vida.
Com a gente, não vai ter essa de enjoar, do sentimento acabar, da falta de respeito imperar...

Mas melhor que esperar a ferida cicatrizar foi voltar.
Ainda não estou preparada para o toque, o abraço, o carinho.
Mas o café da manhã de hoje foi meu melhor presente de dia dos namorados.

Ainda amo você.
E nunca pensei que pudesse ser assim.
Amor de uma mulher por um homem, numa não-relação que, ainda bem, nunca foi mudada.

E aqui eu me declaro outra vez... No início e no meio do caminho...

Feliz Dia dos Namorados!