quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A gravidez da Vida

"Bendito seja Aquele em Cujas mãos está o reino e Que tem poder sobre tudo, Que criou a vida e a morte, para testar-vos e saber quem de vós age melhor."

"Vou ser mãe", pensou ela.

(...)

"... e pediu a Deus que não deixasse toda essa felicidade lhe escapar."



A estiagem passou. Chove de novo dentro de mim. Foram dois dias de temporal. Hoje, só chuva de verão.

Nova vida acontece na vida de quem eu gosto. E acontece, sem querer na minha também, mexendo, remexendo, revirando o meu ser por completo.

É um filho que eu não gerei, mas que poderia ser meu. Talvez seja meu. Mas de verdade, não é.

É o filho desse plebeu de pensamentos nobres, desse don juan barato e sem escrúpulos, desse ser humano bonito por dentro e por fora.
Como bom aquariano com ascendente em Gêmeos, ele é tudo isso ao mesmo tempo agora e ao mesmo tempo não é nada disso.

A gente tinha uma relação sem palavras, de casualidade.

Um dia, não quis ter um filho com ele. E um dia, olhei pra ele e não quis mais ele. Isso foi no ano passado.

Aí vieram as férias, uns lugares do mundo muito legais e bacanas, veio a solidão boa, produtiva e vieram os pensamentos bons em relação a ele...

Por que não? É ele que sempre estende os braços quando me vê, que sempre larga tudo pra estar comigo. Por que não?

Voltei decidida a me declarar. Mas aí ele não estava mais ali, à disposição. Chegou a me estender os braços. Mas voava ao mesmo tempo pra longe de mim. Não precisou de palavras pra eu entender.

Começava aí a ironia da vida? Ou teria começado bem antes?

Foi quando veio a notícia da gravidez. Não a minha. A dela. E a dele.

O mais engraçado é que ela veio no momento em que eu, pela primeira vez, desejava a minha própria gravidez. E desejava que fosse com ele. Ou pelo menos desejava que fosse ele o cara.

O mais engraçado é que há muito tempo comecei uma coleção de bonecas grávidas. Tenho fascinação por elas. São todas mulheres pobres, do sertão, de vida árida, de pele ressecada, de beleza na feiúra... Sempre me perguntei porque comecei essa coleção...

E desde que passei dos 30 venho me perguntando se um dia vou poder ter um filho, gerar um filho. O doutor me respondeu que só tentando pra ver. Acontece que nunca tentei. Então não sei... Essa pode ser mais uma ironia da vida, quem sabe?

Não sou do tipo encanada, filho a qualquer preço, disco arranhado, idéiafix. Não é isso...

Mas sou do tipo que não sabe como agir diante de uma vida que nasce sem querer (querendo)... Mas acho que eu vou saber, se o meu estômago deixar...

Eu já entendi, por exemplo, o pânico do Pai quando vê aquele bebê que ele NÃO gerou por 9 meses. Ele me disse: "Aquele serzinho frágil, pequenininho... Como é que vai, ser?"

É uma nova vida. Em todos os sentidos. Agora, não tem mais como dar stop ou rewind. Agora é play e forward.

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Agora também componho música:

SEM NOÇÃO

VOCÊ ME PEDIU UMA CANÇÃO
EU ME ESFORÇO SEM QUERER
MAS NÃO VEM NEM UM REFRÃO
QUE ME FAÇA AMANHECER
ACORDADA SEM SABER
O QUE É QUE EU VOU QUERER

É QUE SOU ASSIM COMPLICADA
MEIO SEM NOÇÃO
COMO VOU ABRIR OS OLHOS
SE MAIS EU OU MAIS VOCÊ

EU NEM ACREDITO EM AMOR
MUITO MENOS EM PAIXÃO
MAS COMO É QUE PODE SER
TE QUERER E NÃO QUERER

É DIFÍCIL NÃO SABER
NEM DIZER O QUE VAI SER
NÃO SOFRER SE NÃO DER CERTO
NÃO DESEJAR O SUCESSO

UMA RELAÇÃO ASSIM DA GENTE
SÓ PODE SER DIFERENTE
EU TE AMO SEM QUERER
SEM SABER
QUERIA TANTO SER MAIS INCONSEQÜENTE

É QUE SOU ASSIM COMPLICADA
MEIO SEM NOÇÃO
COMO VOU ABRIR OS OLHOS
SE MAIS EU OU MAIS VOCÊ

PRECISO TANTO ENTENDER
RASCUNHAR A CONCLUSÃO
NEM QUE SEJA PRA DEPOIS
APAGAR A CONFUSÃO

PORQUE DEPOIS DO ALVORECER
EU VOU DORMIR
E VOCÊ ACORDAR
E NÓS VAMOS PERCEBER
QUE É PRECISO ADAPTAR

A MINHA VIDA E A SUA
O MEU QUERER E O SEU
O MEU PLANETA E A SUA LUA
A MINHA ÚNICA CANÇÃO
E O SEU CADERNO DE INTUIÇÃO...

É QUE SOU ASSIM COMPLICADA
MEIO SEM NOÇÃO
COMO VOU ABRIR OS OLHOS
SE MAIS EU OU MAIS VOCÊ