Faltam dois minutos para as onze da noite. É sexta-feira e eu ainda estou de biquini.
Minha casa já voltou ao normal - nem parece que nós quatro estávamos aqui.
Somos nós, os quatro, que estamos no mesmo barco.
Trabalhamos juntos e encaramos a arena lotada e os leões famintos, gigantes, surgindo dos calabouços subterrâneos, das grades de ferro maciço que se abrem de repente. Matamos pelo menos um deles por dia.
Mas a gente não se rende...
Somos tão diferentes. Mas tão iguais. Ele é gay. Ela também. Ela não é. Já se casou, já se separou, já teve uma filha. E eu, bem, eu... Não sou e nem fiz nada disso...
Juntos, sofremos e temos momentos de puro êxtase. A gente bebe, a gente fala, a gente vomita, a gente ri, a gente se diverte.
Preciso falar das emoções que cabem em 24 horas.
O quinto elemento não compareceu. Mas esse quinto elemento é tão variável que não faz tanta falta assim. Não por nada, mas talvez pela não assiduidade. Talvez pela diferença. Ela é frágil. Nós, não. O quinto elemento da vez chorou hoje.
Foi por pouco, não perdi a paciência, mas fui legal... Os outros me fizeram legal. E ela gosta de mim desde o primeiro minuto. Engraçado isso.
Tem um cara da engenharia que é assim também. Ele me acompanha na hora do Radar. Eu nunca pedi, mas ele tá sempre ali. E, de certa forma, ele me dá segurança. Ele disse que quem manda ali sou eu. Eu respondi que não tenho dúvida disso. E não tenho mesmo. Mas todo dia encarar isso enche o saco!
Ando numa fase em que sou capaz de fazer qualquer coisa, de ser qualquer tipo de pessoa. Menos a radical demais. Poderia me drogar, poderia dar uma pirada. Mas apenas estou bebendo um pouco mais e estou fumando (mesmo odiando cigarro!). Aquele tipo de cigarro que cai perfeitamente com o goró. Aquele pito que tem tudo a ver com a solidão.
Sofrer é um ato solitário. Nascer é um ato solitário. Morrer é um ato solitário. Viver é um ato solitário. Amar é um ato absolutamente solitário. Mas hoje sou capaz de amar uma formiga. Um fraco. Um bêbado. Eu mesma.
Quando fui buscar a minha bolsa tinha um bilhetinho "Love you". Eu sei quem escreveu. Conheço meu gado. Conheço a sua letra. E também te amo. Do meu jeito, do nosso jeito, do jeito possível.
Esses gestos, os sentimentos é que permeiam essa nossa humanidade.
Mas como se não bastasse tanto, hoje senti cansaço, pedi trégua, torci por dia um tranquilo. Foi tudo o que não tive. Já senti raiva, já me estressei, já me desesperei. Às vezes me pergunto porque enfrentamos isso todos os dias -- se por vaidade ou apenas porque damos conta. Mas será que temos alguma satisfação depois?
E eis que isso tudo não é tudo.
Ele me manda um e-mail. Eu, meio bêbada ainda leio e entendo o que eu já sabia. Há diversas formas de se reagir a uma notícia. Desta vez, escolhi a melhor delas. Não foi a primeira vez, mas foi a menos provável. Mas o bom da vida é que a gente aprende.
É claro que eu acho que ele pode sumir de novo. Mas, por enquanto, é dele o meu coração. E se é assim, assim será.
Enquanto isso, conheço homens bons. Falo de mim, do meu próprio umbigo, da minha barriga quase perfeita para uma sedentária de 35 anos. O que eu faço? Onde moro? Quem sou? De onde venho? Pra onde vou?
De repente sou eu que toco no assunto. Digo que nunca me casei. Porque não quis. Porque não tive maturidade pra isso. Sempre fui assim, meio menina mesmo.
E aí o cara falou. Disse que tem uma filha. Ufa! Que peso ele tirou das costas... risos... Mas no caso dele, pensa bem, ele foi pai aos 16 anos... O que é isso, meu Deus? Deveria ser proibido...
Mas era necessário falar. E agora que o pior passou, tá tudo bem...
Ele ainda acredita no amor. Eu ainda acredito no amor. Gente, até a Diablo Cody acredita no amor romântico...
E agora tô muito cansada pra continuar.
Só uma última coisa: é bom ser a referência pra quem termina um relacionamento. Também gosto de ser quem preenche lacunas. Meu amigo se separou e conta comigo. Me sinto útil assim, pra dizer o mínimo...
Agora, chega...
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